quarta-feira, 22 de abril de 2026

O amor que me fez Artista

De repente você estava tão perto,
Que bastou somente uma dança
Para que eu fervesse de calor.

Depois restou só um vislumbre
Desse toque, da dança, que então,
Virou memória pousada em mim.

Mas eis que Yemanjá deu a bênção
E eu pude rever você a brilhar,
E que brilho tinha essa escultura.

Não podia parar de olhá-la, admirá-la
Era como se eu estivesse no museu
A olhar a obra, sem poder tocá-la.

No reencontro tornámo-nos artistas,
Dancei, cantei, pintei, interpretei,
Estávamos a criar juntos, uma arte!

Juntos, a pintar o quadro nos olhares,
Na tinta que escorria o corpo no peito,
E as cores revelavam todo o amor.

A obra, já estava a declarar-se toda,
Mas via-se uma mão a lançar-se,
E a outra mão incerta a segurar-se.

Com o fim, a arte ficou exposta em mim,
No museu das minhas memórias,
De quem eu era e de quem quero ser,

E tenho certeza que eu serei melhor,
Porque o que foi fez-me melhor,
Fez-me ver o artista que eu quero ser.

Essas memórias às vezes viram festas
E às vezes viram uma sala escura,
Porque o artista precisa de tempo,

Tempo para lembrar com calma,
Já que agora a lembrança provoca
Um aperto, que afunda o peito.

Tempo para respeitar o sentimento
Que ainda está aqui, e respeitar-te, se
Também ainda está a navegar em ti.

E como todo amor real que dancei,
Nosso quadro na memória pendurei.
E revisitarei, para no futuro lembrar,
O amor que daqui em diante dançarei,

Só reescrevendo o tom do roteiro,
E afinando a melodia da história.
Onde havia a mão um pouco insegura,
Haverá mãos dadas a mergulhar na pintura.



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