Voce chegou como uma cachoeira
e banhou me inteiro com o amor,
aquela água gelada que desperta
e faz o corpo todo se arrepiar.
Eu nadava como se fosse parte,
como se pertencesse àquele lago profundo,
e flutuava nas tuas águas tão inteiro
como se fôssemos uma só correnteza.
Sabe quando você entra na mata,
caminha e caminha adentro dela,
e o sol te banha de calor, fazendo-te suar,
até que encontra o teu lugar seguro?
Foi aí que me levaste contigo,
e num momento pensei estar perdido.
Mas me perderia quantas vezes fosse,
se me perder for dizer que te amo.
Porque dizer que te amo é me encontrar,
é tricotar o vermelho do coração,
é brincar de sorrir da tua imitação,
é saber que o agora, não é imaginação!
Mas o verão aqui é demasiado seco
e, quando vi, a única água dentro
era a dos meus olhos escorrendo,
vendo a construção de uma barragem.
Tu construíste, mas deixaste uma brecha
por onde eu podia ouvir-te declamando:
— Eu brilho quando tu nadas em mim,
me vejo cristalina e me sinto segura.
Ah! Nesse momento fiz a dança da chuva,
queria banhar-me nos teus braços novamente,
porque não me parecia real a despedida.
Se o rio vai para o mar, por que não vens a mim?
Por que não correu o caminho das águas?
A água nasce da fonte e vai para o mar,
ela não sobe o rio contra a corrente
Buscando algo no passado encontrar.
Eu sei que foste contra a corrente
Porque já conhecias a história
E quando o vento traz confusão,
Buscamos abrigo de águas passadas.
E eu sou aquele que desvia o rio
Que sopra para o novo, para o desafio
Que desbrava em direção a correnteza,
Mas com calma e clareza para onde ir.
E tu sabias que o caminho era lindo,
que era real e valia apostar no mergulho.
Agora encontraremos só na memória,
na dor de estar seco por dentro.
Só me resta assistir a esse sol de verão
evaporar com o tempo a nossa união
e esperar o próximo inverno
e, quem sabe, me molhar de chuva de novo.