terça-feira, 5 de maio de 2026

As aguas que não foram ao mar

Voce chegou como uma cachoeira

e banhou me inteiro com o amor,

aquela água gelada que desperta

e faz o corpo todo se arrepiar.


Eu nadava como se fosse parte,

como se pertencesse àquele lago profundo,

e flutuava nas tuas águas tão inteiro

como se fôssemos uma só correnteza.


Sabe quando você entra na mata,

caminha e caminha adentro dela,

e o sol te banha de calor, fazendo-te suar,

até que encontra o teu lugar seguro?


Foi aí que me levaste contigo,

e num momento pensei estar perdido.

Mas me perderia quantas vezes fosse,

se me perder for dizer que te amo.


Porque dizer que te amo é me encontrar,

é tricotar o vermelho do coração,

é brincar de sorrir da tua imitação,

é saber que o agora, não é imaginação!


Mas o verão aqui é demasiado seco

e, quando vi, a única água dentro

era a dos meus olhos escorrendo,

vendo a construção de uma barragem.


Tu construíste, mas deixaste uma brecha

por onde eu podia ouvir-te declamando:

— Eu brilho quando tu nadas em mim,

me vejo cristalina e me sinto segura.


Ah! Nesse momento fiz a dança da chuva,

queria banhar-me nos teus braços novamente,

porque não me parecia real a despedida.

Se o rio vai para o mar, por que não vens a mim?


Por que não correu o caminho das águas?

A água nasce da fonte e vai para o mar,

ela não sobe o rio contra a corrente

 Buscando algo no passado encontrar.


Eu sei que foste contra a corrente

Porque já conhecias a história

E quando o vento traz confusão,

Buscamos abrigo de águas passadas.


E eu sou aquele que desvia o rio

Que sopra para o novo, para o desafio

Que desbrava em direção a correnteza,

Mas com calma e clareza para onde ir.


E tu sabias que o caminho era lindo,

que era real e valia apostar no mergulho.

 Agora encontraremos só na memória,

na dor de estar seco por dentro.


Só me resta assistir a esse sol de verão

evaporar com o tempo a nossa união

e esperar o próximo inverno

e, quem sabe, me molhar de chuva de novo.












quarta-feira, 22 de abril de 2026

O amor que me fez Artista

De repente você estava tão perto,
Que bastou somente uma dança
Para que eu fervesse de calor.

Depois restou só um vislumbre
Desse toque, da dança, que então,
Virou memória pousada em mim.

Mas eis que Yemanjá deu a bênção
E eu pude rever você a brilhar,
E que brilho tinha essa escultura.

Não podia parar de olhá-la, admirá-la
Era como se eu estivesse no museu
A olhar a obra, sem poder tocá-la.

No reencontro tornámo-nos artistas,
Dancei, cantei, pintei, interpretei,
Estávamos a criar juntos, uma arte!

Juntos, a pintar o quadro nos olhares,
Na tinta que escorria o corpo no peito,
E as cores revelavam todo o amor.

A obra, já estava a declarar-se toda,
Mas via-se uma mão a lançar-se,
E a outra mão incerta a segurar-se.

Com o fim, a arte ficou exposta em mim,
No museu das minhas memórias,
De quem eu era e de quem quero ser,

E tenho certeza que eu serei melhor,
Porque o que foi fez-me melhor,
Fez-me ver o artista que eu quero ser.

Essas memórias às vezes viram festas
E às vezes viram uma sala escura,
Porque o artista precisa de tempo,

Tempo para lembrar com calma,
Já que agora a lembrança provoca
Um aperto, que afunda o peito.

Tempo para respeitar o sentimento
Que ainda está aqui, e respeitar-te, se
Também ainda está a navegar em ti.

E como todo amor real que dancei,
Nosso quadro na memória pendurei.
E revisitarei, para no futuro lembrar,
O amor que daqui em diante dançarei,

Só reescrevendo o tom do roteiro,
E afinando a melodia da história.
Onde havia a mão um pouco insegura,
Haverá mãos dadas a mergulhar na pintura.



terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Quando digo teu nome

Às vezes a palavra não cabe,

mesmo que seja ela amor.

Imagina o amor na palavra.

Se procurar algum sentido for,

encontrará no lugar teu nome.


Teu nome é suspiro de leveza,

um sorriso que inunda o ser.

E nem precisa ser grande,

do jeitinho que tu sabes fazer,

transforma a face em estande.


Há quem diga que és estranha,

eu diria que és singular, única.

Uma tempestade que desenha,

que pinta o sete com alegria,

que de tanto mostrar contagia.


Se abrir o horizonte do vento,

vais ouvir o som do teu nome.

Vais entrar no poema sedento,

sem pedir licença à fome,

como se já habitasse o lugar.


Tu és tempestade no mar,

tu és calmaria ao abraçar.

Tu és o amor sem a palavra,

tu és para onde o amor iria

E lá ele diria o seu nome.


Por isso quando me falta

A palavra para expressar

E dizer o quanto te amo,

basta que eu diga: Lívia.